aulas

   bibliografia

   links

   

   contato

   


Reflexões sobre o ensino do Yoga
e da Yogaterapia.


Duas formas de aprendizado ocorrem durante o estudo, a prática e o ensino do Yoga (tanto o ensino prático em academia, quanto o ensino teórico em cursos de formação): uma forma objetiva, traduzida pelo conhecimento aprendido atravéz dos professores (e alunos) e dos livros; e uma forma subjetiva que vai sendo introjetada, fruto da soma do conhecimento objetivo (estudos) + prática pessoal (yoga, meditação) + prática profissional.
O resultado dessa soma é o desenvolvimento de um raciocínio intuitivo e de um raciocínio criativo que vão possibilitar ao profissional de Yoga fazer uma leitura e uma anamnese fiel e profunda dos seus alunos e/ou clientes, e desenvolver, assim, um trabalho adequado e de boa qualidade, sem que este trabalho seja calcado necessariamente em conceitos estanques e fórmulas pré-determinadas, procedimentos estes muito influenciados pela pouca bibliografia de boa qualidade disponível em nosso idioma.
Esse raciocínio intuitivo e criativo deve ocorrer em diversos níveis, que vamos analisar mais adiante.
A característica profundamente holística do Yoga, permite que - sem perder a idéia central de que a meta é a integração e a experiência da Unidade - se possa explorar diversas abordagens de trabalho, inclusive lançando mão de técnicas ocidentais modernas que podem perfeitamente vir somar ao trabalho do Yoga, aumentando sua abrangência e eficácia.
Esta profunda e abrangente característica holística do Yoga permite a abertura de um enorme leque de leituras e possibilidades, que vão interagir amplamente com várias áreas do conhecimento humano.
Por exemplo, pode-se dar uma abordagem mais centrada no aspecto anátomo-fisiológico do Yoga, trabalhando com correção postural, consciência corporal, trabalho com cardíacos, asmáticos, diabéticos, aidéticos, etc.
Um professor de Yoga ou yogaterapeuta que seja, por exemplo, fisioterapeuta ou professor de educação física, poderia fazer um ótimo trabalho nesta área trabalhando com Hatha Yoga .
Já um professor de Yoga que seja psicólogo, poderia trabalhar dentro de uma abordagem mais voltada aos aspectos psicológico, energético e filosófico do Yoga, como o Tantra ou a Vedanta.
O psicólogo, especialmente se for de linha reichiana ou bioenergética, teria a habilidade de fazer a leitura muscular-emocional-psicológica-energética, assim como no Tantra faz-se o diagnóstico do funcionamento dos chakras atravéz da leitura feita - entre outras coisas - da observação da performance do aluno nas asanas. Ambos trabalhos atuam nas couraças musculares, nas emoções e no processamento de material do inconsciente.
O mais interessante e a maior beleza do Yoga, é que qualquer abordagem, qualquer tônica ou direcionamento mais específico que se imprima no trabalho com o Yoga, não exclui todos os outros aspectos e atuações. Obrigatoriamente o Yoga sempre trabalha e atua de forma ampla, profunda e integral, de dentro para fora e de fora para dentro.
As idéias e as noções da enorme riqueza do ferramental disponível pelo Yoga, bem como da possibilidade de cada um poder trabalhar e dar a este trabalho uma direção de acordo com sua característica pessoal e criatividade - guardando sempre o espírito central -, deve ser passada aos alunos bem como a importância da ética e do respeito ao espírito do Sanathana Dharma.
Raciocínio filosófico - quem ministra aulas em cursos profissionalizantes na área do Yoga, deve antes de mais nada, procurar despertar o aluno para a amplitude e a profundidade do universo hinduísta. As filosofias hinduístas (Yoga, Vedanta, Tantra, etc.) são o que deve guiar e nortear o estudo da formação em Yoga.
Deve-se deixar sempre bem claro o caráter extremamente holístico e universalista do hinduísmo, mas deve-se também procurar evitar nestes cursos, a introdução de outras bibliografias (Teosofia, Espiritismo, Budismo, Taoísmo, etc.) que apesar de representarem linhas de pensamento absolutamente idôneas e respeitáveis, trazem outros conceitos e leituras que podem atrapalhar o aluno na correta compreensão e introjeção do espírito do pensamento hinduísta.
O hinduísmo, por ser a própria expressão do Sanathana Dharma (e até por sua antiguidade) encerra em si mesmo o ferramental necessário para a libertação do homem, atendendo perfeitamente à sua pluralidade. Não é necessário recorrer a outras fontes e a outras tradições.
As pontes e as correlações entre as religiões e as filosofias é prática filosófica saudável e desejável, mas é um exercício de caráter interno e pessoal. Em cursos de formação de professores de Yoga ou yogaterapeutas, deve-se estimular que o aluno estude e reflita sobre a profundidade e a complexidade do universo hinduísta que é, afinal de contas, onde se situa o Yoga. E professores de Yoga devem "raciocinar" Yoga.
Deve-se estimular o estudo de Patanjali, da Bhagavad Gita, das Upanishads, do Hatha Yoga Pradipika e do Gerandha Samhita (sempre com o comentário de autores hinduístas), sugerindo aos alunos a reflexão dentro de uma ótica unicista e integradora, visão que hoje abarca praticamente todo o pensamento oriental (em grande parte, graças à Vedanta) e também muito do ocidental. Raciocinar em termos de "Paramatma e jivatma são o mesmo" e "eu já sou a plenitude que busco" é o primeiro passo para uma correta compreensão e aplicação dos raciocínios seguintes.
Raciocínio dialético - a filosofia hinduísta é pródiga em estruturas dialéticas, profundamente ricas em simbolismos. Os professores de cursos de formação devem tentar despertar nos alunos a reflexão e o questionamento sobre estes padrões dialéticos, pois da mesma forma como os acupunturistas devem compreender e aprender a raciocinar em função de TAO/Yin&Yang que é o que norteia a fisiologia energética chinesa, os professores e terapeutas de Yoga devem aprender a raciocinar em função destes vários padrões dialéticos.
Inicialmente, absoluto/relativo (Brahman/Maya na Vedanta; Purusha/Prakriti no Samkhya e no Yoga; Shiva/Shakti no Tantra). Parâmetro filosófico (e teológico) este inexistente nas religiões cristã-judaicas e islâmicas, que são religiões essencialmente dualistas e (mono)teístas.
Em seguida, temos as Gunas: Sattwa, Rajas e Tamas. Toda a criação, todos os seres, todos as personalidades, são recombinações infinitas dessas três qualidades.
Quem adentra pela Medicina Ayurvédica depara-se com as doshas: Vata, Pitta e Kapha. Os três princípios nos quais se baseia esta medicina.
No Tantra, temos Ardhanareshwara (divindade meio Shiva/meio Shakti) - pingala/ida, masculino/feminino, solar/lunar, etc. São as polaridades energéticas horizontais (os chakras são as verticais).
Este raciocínio dialético intuitivo, fruto do estudo, da prática e da reflexão, vai fundamentar o raciocínio energético que veremos mais adiante.
Raciocínio anátomo-cinesiológico - um bom profissional de Yoga deve ter bastante conhecimento da estrutura do corpo humano e de seu movimento. O estudo da Anatomia, da Cinesiologia e da Biomecânica, vão dar cada vez mais capacitação ao professor ou terapeuta, proporcionando a efetuação de uma leitura corporal e uma anamnese mais corretas.
Não se trata obviamente de concorrer ou querer tomar o lugar do médico, muito ao contrário, trata-se de interagir com eles de forma mais técnica e profissional.
Acho mesmo que todo o professor ou yogaterapeuta deve ter a supervisão de um fisioterapeuta. Penso que estes profissionais são mais indicados do que os ortopedistas - normalmente os mais procurados - que são mais úteis em casos de traumas, fraturas, cirurgias e administração de medicamentos. Quem entende mesmo de movimento é o fisioterapeuta. No meu trabalho profissional, o fisioterapeuta é quem indica o ortopedista.
Nos cursos de formação, o fundamental ensino da Anatomia, da Cinesiologia e da Fisiologia, tão estigmatizado pela fama de "mal necessário", deve procurar despertar o aluno para a importância destes conhecimentos, que vão produzir dois efeitos: uma boa formação profissional, e um enorme ganho de consciência corporal adquirida com o estudo do corpo humano.
Raciocínio energético - é a profunda compreensão e a correta aplicação da fisiologia energética do Yoga: kundalini, chakras, nadis, pranas.
Assim como um acupunturista tem que estudar, compreender e dar aplicabilidade ao complexo diagnóstico do pulso, à circulação do ki (energia), aos meridianos, aos pontos e seus efeitos, aos horários, aos 5 elementos ,etc., um professor ou yogaterapeuta que deseje trabalhar em níveis mais profundos, deve conhecer todo o sistema de circulação da energia, e saber como as asanas, pranayamas, bandhas, mudras, kriyas, yantras, mantras, relaxamento e meditação influem e trabalham na promoção do equilíbrio dessa circulação energética, que vai proporcionar ao homem a experiência da Unidade.

Ernani Fornari
Dharmendra


 
 
 
 
asana
 
 
 
 
 
 
asana
 
 
 
 
 
 
asana
 
 
 
 
 
 
asana
 
 
 
 
 
 
asana
 
 
 
 
 
 
asana
 
 
 
 
 
 
asana
 
 
 
 
 
 
asana
 
 
 
 
 
 
asana
 
 
 
 
 
 
asana
 
 
 
 
 
 
asana
 
 
 
 
 
 
asana
 
 
 
 
 
 
asana
 
 
 
 
 
 
asana
 
 
 
 
 
 
asana
 
 
 
 
 

sobe