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O processo da criação segundo
a visão hindu

 

 

O conceito filosófico sobre a dialética  Absoluto/Relativo (ou Unidade/dualidade, Permanente/impermanente etc.) é muito presente em quase todas as antigas culturas: os chineses chamam o Ser Absoluto de Tao, e o grande movimento dual e mutante do Universo de Yin e Yang;  os índios norte-americanos chamam o aspecto Absoluto de Deus de Wakan-Tanka (o Grande Mistério)  e o espírito Criador de Manitou (o Grande Espírito); os índios brasileiros Guaranys chamam o Absoluto de Nhamandú e o aspecto criador de Deus de Tupã Nhanderú. Já os africanos chamam o Absoluto de Olorún e o Deus pessoal de Oxalá, e os hindus chamam o Absoluto de Brahman e o deus pessoal de Ishwara (ou Bhagavan).
No universo filosófico hindu a pesquisa sobre Deus e a Criação é dividida em seis grandes escolas, que vão procurar abordar a mesma coisa por caminhos diferentes: Nyaya (trata da busca das grandes respostas da existência através da lógica. Esta escola vai influenciar não só a estruturação teórica e metodológica das outras cinco escolas, como também a própria Lógica ocidental); Vaisheshika (trata da compreensão da Criação através do estudo da natureza física do Universo. É a  mãe da Física moderna); Samkhya  (escola que versa sobre o complexo processo de como a Consciência, o Absoluto, se manifesta como concreto, relativo, material) ; Yoga (escola que versa sobre a psicologia e as técnicas para alcançar a experiência da Unidade, e que se desdobrou em várias linhas, cujas principais são: Jnãna Yoga, yoga do Conhecimento e da Sabedoria; Bhakti, Yoga do Amor, da devoção; Karma, Yoga da ação sem apego; Raja, Yoga da meditação; e Hatha, Yoga dos corpos físico e energético); Mimamsa (escola que versa sobre a elaborada tecnologia dos rituais védicos) e Vedanta (que versa sobre a filosofia pura).
Como é intrinsecamente característico da filosofia hindu sofrer muitos comentários e leituras de seus textos feitos por muitos mestres ao longo dos séculos, a escola Samkhya recebeu importantes releituras de seus ensinamentos. Vamos apresentar aqui três destas perspectivas, que se diferem na forma de se apresentar tecnicamente, mantém o mesmo espírito.  

  1. Segundo H.Zimmer (do livro “Filosofias da Índia”):
  • A partir da manifestação de Prakriti com suas Gunas, surge o nível Causal - Buddhi/Mahat - a potencialidade suprapessoal das experiências.
    De Buddhi manifesta-se  Ahamkara, o ego, cuja função é apropriar-se dos dados da consciência e errôneamente os atribuir ao Purusha.
    De Ahamkara manifestam-se :
  • Manas (a mente, a faculdade de pensamento).
  • os 5 Jñana indriyas (faculdades dos sentidos: ouvido/shrotra, pele/twak, olhos/chakshuh, língua/rasana e nariz/ghrana). 
  • os 5 Karma indriyas (faculdades da ação:  boca/vak, mãos/pani, pés/pada, ânus/payu, genitais/upasthani).
  • os 5 Tanmatras (os elementos sutis, primários, compreendidos como as contrapartes internas e sutis das 5 experiências sensoriais, a saber: som, tato, cor e forma, sabor e odor - shabda,  sparsha, rupa, rasa, gandha).
  • os parama-anu (átomos sutis dos quais temos consciência nas experiências do corpo sutil.
  • os sthula bhuta (os cinco elementos densos: éter, ar, fogo, água e terra, que constituem o corpo denso e o mundo visível e tangível, dos quais temos conhecimento pelas experiências sensoriais).
  1. Segundo Dr. Vasant Lad (do livro Ayurveda, ciência da autocura”):

Da interação Purusha / Prakriti, manifesta-se Mahat (Buddhi), que manifesta Ahamkara,  e deste  manifestam-se as três Gunas.
De Sattwa, manifestam-se :

  1. As cinco faculdades dos sentidos (órgãos de percepção): ouvidos, pele, olhos, língua, nariz.
  2. Os cinco órgãos motores (órgãos de ação):  boca, mãos, pés, órgãos reprodutores, órgãos excretores.
  3. A Mente: um órgão de ambas: percepção e ação.

De Tamas manifestam-se :

  1. Som (guna do éter - akasha)
  2. Tato (guna do ar - vayu)
  3. Visão (guna do fogo - agni ou tejas)
  4. Paladar (guna da água - apah ou jala)
  5. Olfato (guna da terra - prithivi)

Rajas não manifesta nenhum tattwa em especial.

  1. Segundo Shri Shankaracharya (do livro “Tattwa Boddha”): 

Segundo Shankara, o Absoluto - que ele chama de Brahman - quando se manifesta na relatividade, na dualidade, chama-se Ishwara, o Deus Criador, “o Supremo Arquiteto do Universo”, o Deus pessoal/impessoal também chamado de Bhagavan (O Senhor). É o mesmo Jeovah dos judaico-cristãos e o Allah dos mulçumanos.
Ishwara atua na Criação dual como Purusha (a Consciência, o Espírito. O principio masculino. O Pai.) e como Prakriti (a Natureza material impermanente. O movimento e a substância do Universo.O princípio gerador feminino. A Mãe). 
Esta Prakriti, ao manifestar-se para criar – no processo de Panchikaram, a densificação - atua na Criação através do movimento das Gunas (Sattwa, Rajas e Tamas). Leia o texto sobre Gunas.
As Gunas quando se interagem para manifestar a Criação,  desdobram-se nos Tanmatras, os 5 elementos sutis universais: Akasha/Èter, Vayu/Ar, Tejas/Fogo, Apah/Água e Prithivi/Terra (ainda não são os 5 elementos materiais, e sim, a matriz energética destes).
Do aspecto Sattwico do Tanmatra Akasha, manifesta-se o Jñana Indriya  (órgão de conhecimento, sistema aferente, sensitivo) Ouvido.
Do aspecto Sattwico do Tanmatra Vayu, manifesta-se o Jñana Indriya Pele.
Do Sattwa de Apah, manifesta-se o Jñana Indriya Língua
Do Sattwa de Tejas, manifestam-se os Olhos
Do Sattwa de Prithivi, manifesta-se o Nariz.
Tanmatras também significam os 5 sentidos (audição, paladar, olfato, visão, tato), que são relacionados com os Jñana Indriyas.
A soma dos aspectos Sattwa de cada um dos 5 Tanmatras, vai manifestar o Antahkarana (ou “órgão interno” que é como os hindus chamam o que nós chamamos de “mente”): Buddhi (a instância mais elaborada do complexo psíquico humano, responsável pelo discernimento, pelas escolhas, e também pela capacidade de observar sem julgar), Manas (a mente que pensa, racional. O conteúdo de Manas chama-se Chitta ou memória, que gera Vrittis, ou movimentos da mente – os pensamentos) e Ahamkara, o ego individual.
Do aspecto Rajasico do Tanmatra Akasha, manifesta-se o Karma Indriya (órgão de ação) Boca.
Do aspecto Rajasico do Tanmatra Vayu, manifesta-se o Karma Indriya Mãos.
Do Rajas de Tejas, manifesta-se o Karma Indriya Pés.
Do Rajas de Apah, manifesta-se o Karma Indriya Ânus.
Do Rajas de Prithivi, manifestam-se os genitais.
A soma dos aspectos Rajas dos Tanmatras vai manifestar os 5 Pranas. Prana é a energia vital que sustenta o incessante movimento universal, e subdivide-se em 5 sub-Prana: Apana (movimento descendente e centrífugo, gerenciando no ser humano tudo o que tem que ser eliminado, expelido. Está relacionado ao Chakra Muladhara e ao elemento Terra); Vyana (movimento que gerencia a circulação, o fluir, o distribuir. Está relacionado ao Chakra Swadhisthana e ao elemento Água); Samana (a assimilação, a transmutação, o metabolismo. Está relacionado ao Chakra Manipura e ao elemento Fogo); Prana (movimento ascendente e centrípeto. Está relacionado ao Chakra Anahata e ao elemento Ar); e Uddana (movimento ascendente e centrífugo. Está relacionado aos Chakras Vishuddha – elemento Éter -e Ajña). 
E a soma dos aspectos Tamas dos Tanmatras vai manifestar os Mahabhutas ou 5 elementos materiais : Éter ou Espaço (Akasha), Ar (Vayu), Fogo (Agni ou Tejas), Água (Jala ou Apas) e Terra (Prittivi).
E as combinações destes 5 Mahabhutas vão originar os Doshas (Vata – Éter/Ar ; Pitta – Fogo/Água e Kapha – Água/Terra, veja o texto adiante).
Continuando a expansão e a pluralização aparente da mesma energia cósmica, cada elemento (Mahabhuta) é formado pelos 5 Mahabhutas (o Ar é fomado pelo Ar do Ar, pelo Fogo do Ar, Água do Ar, Terra do Ar,etc.).
A soma do Agni (Fogo) de cada Mahabhuta (chamados de Bhutagnis) vai formar Jataragni, o Fogo corporal e digestivo.
O Jataragni na forma dos Dhatuagnis (Agni dos Dhatus, os tecidos corporais) vai processar todo o ciclo da absorção e metaboilsmo dos alimentos. O produto deste metabolismo em seu nível energético mais sutil, vai resultar na produção de Ojas, a energia que alimenta a mente.
Os Dhatus são os tecidos com os quais o corpo é constituído. Os Dhatus processam os alimentos que ingerimos, cada Dhatu mantendo o Dhatu seguinte:  primeiro temos Rasa (o plasma, elemento Água), que cria Rakta (o sangue, elemento Fogo), que cria Mamsa (os músculos, elemento Terra), que cria Medha (a gordura, elemento Terra), que cria Ashti (os ossos, elemento Ar), que cri Majja (a medula, elemento Espaço), que cria Sukkha e Artava (os tecidos reprodutivos, que agregam todos os elementos).
O produto desta alquimia de transmutação é a energia Ojas, que circula por todo o sistema junto com a energia Prana. Prana é transportado pelas pranavaha nadis, e Ojas pelas manovaha nadis, que funcionam se fossem um fio ou conduto duplo.
Ojas está relacionada com a energia que Freud chamou de libido. A libido se expressa no segundo chakra como a capacidade de gerar vida, no sexto Chakra como a capacidade de gerar idéias e no quinto Chakra como a capacidade de gerar obras e expressão. Por isso determinadas vertentes do Hinduísmo recomendavam o celibato como uma forma de não gastar Ojas com sexo, e direcioná-la para a mente.
Já na Mitologia, diz-se que o Absoluto Brahman se manifesta na dualidade como Trimurti, os três deuses que criam (Brahma), mantém (Vishnu) e destroem (Shiva) o eterno e impermanente Universo material, num grande “Lavoisier” cósmico. Cada deus expressa a Consciência, o princípio masculino, Yang, e cada esposa (Shakti) de cada deus (Saraswati, Lakshmi e Durga, respectivamente) expressa o poder criador e gerador, feminino, Yin.
A criação do Universo acontece quando Brahma expira, expandindo a Criação (o Big-Bang), através do poder de Shakti e de suas Gunas.
   Quando Brahma inspira o Universo é reabsorvido, através da dança cósmica de Shiva (Nataraja).

 

Ernani Fornari
Dharmendra


 
 
 
 
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